Artigos - Hélio Alonso
 
RIO DE JANEIRO - A CIDADE DO TURISMO HISTÓRICO

PRAÇA TIRADENTES E ARREDORES
 

A Praça Tiradentes, cuja criação se deu no século XVII, resultado do desmembramento do Campo de São Domingos, teve várias denominações até chegar ao nome atual. Em 1690, chamava-se Rossio Grande, denominação provavelmente que tudo tem a ver com o Largo do Rossio Português. Quase um século depois, com a chegada de ciganos vindos de Portugal, passou a ser Campo dos Ciganos. Com a construção da Capela Nossa Senhora da Lampadosa, em 1747, veio a se chamar Campo da Lampadosa.

Em 1808, ao se construir naquele local um pelourinho (ou polé), passou a ser conhecido como Campo do Polé. Em 1821, por ocasião do juramento da Constituição do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, passa a se denominar Praça da Constituição. E, finalmente, em 1890, com a proximidade do primeiro centenário da morte de Joaquim José da Silva Xavier, passou-se a chamar Praça Tiradentes, local onde se diz ter sido enforcado o grande mártir da Revolução Mineira. Está localizada entre as ruas da Constituição e Visconde do Rio Branco, Sete de Setembro e Carioca, e Avenida do Paraguai e Avenida Passos.

No centro da Praça, se encontra o monumento em homenagem a D. Pedro I montado em um cavalo. Inaugurado em 1862, com grande festa e a presença da família real, a escultura de seis metros de altura traz o Fundador do Império, fardado de general, segurando em uma das mãos as rédeas e na outra acenando para o povo com a Constituição de 1824. No canto do pedestal, quatro estátuas de bronze representam os rios Amazonas, Paraná, São Francisco e Madeiras.

Na Praça Tiradentes, próximo à rua Visconde do Rio Branco, se sobressai um prédio que mantém a antiga fachada colonial, com uma ampla porta por onde saíam, no século XIX, as damas em suas carruagens. É o solar do Barão do Rio Seco, que o adquiriu em 1812, onde inúmeros bailes foram realizados. Mais tarde, o novo proprietário, o Barão de Taquara, alugou-o ao Clube Fluminense, que ali funcionou até 1876, quando foi adquirido pelo governo para instalar a Secretaria da Justiça e Negócios Interiores. Na República, foi ocupado por vários órgãos públicos e, antes de ficar abandonado, pelo Detran. Hoje está sendo restaurado.

Outros prédios merecem ser mencionados, como a Gafieira Estudantina (nº 79 - Tel.: 2232-1149), a mais carioca das casas de dança de salão, que funciona desde 1932. O prédio de número 67, onde morou a cantora lírica Bidu Sayão, que já foi hotel, fliperama e bar. Está sendo restaurado, juntamente com outros prédios antigos, devendo abrigar novos espaços culturais.

A Praça Tiradentes ficou famosa como centro do teatro popular, principalmente na primeira metade do século XX, com o famoso teatro rebolado, quando lindas vedetes dançavam mostrando seus corpos esculturais. Dois teatros remanescentes somente ficaram: João Caetano e Carlos Gomes.

O Teatro João Caetano foi inaugurado em 12 de outubro de 1813 com a presença de D. João VI e sua corte. Além de ser freqüentado pela fina sociedade, foi palco de acontecimentos políticos importantes de nossa história: Em 1821 Dom Pedro I jura obediência à Constituição do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves; em 1822, ali D. Pedro I é aclamado Imperador do Brasil; em 1824 se processa o juramento da primeira Constituição Brasileira, quando é executado o Hino à Independência composto pelo próprio imperador.

O Teatro sofreu três grandes incêndios (1824, 1851 e 1856) e já teve vários nomes: Imperial Teatro São Pedro de Alcântara, Constitucional Fluminense, São Pedro. Em 1920 o prédio foi demolido e reinaugurado em 1923, recebendo o nome atual, em homenagem ao ator e empresário João Caetano. S/nº - Tel.: 2221-0305.

O Teatro Carlos Gomes foi inaugurado em 1872; era o antigo teatro Franco-Brésilien. Em 1880, seu nome mudou para Teatro Santana. Passou a ter o nome atual a partir de 1905, em homenagem ao grande músico brasileiro nascido em Campinas, São Paulo. Rua Pedro I, número 4 – Tel.: 2224-3602 e 2232-8701.

O Centro de Artes Hélio Oiticica, que reúne obras do famoso artista plástico, promove exposições temporárias e funciona em prédio construído em 1863 para o Conservatório Dramático Brasileiro. O prédio foi restaurado pela Prefeitura em 1995 para abrigar as obras do artista performático, pintor e escritor, que nasceu no Rio de janeiro em 1937, falecendo em 1980. Rua Luís de Camões 68 – Tel.: 2232-4213.

Ainda na rua Luís de Camões, no nº 30, próximo do Teatro João Caetano, está o Real Gabinete Português de Leitura. Oficialmente, a entidade foi criada a 14 de maio de 1837, quando foram aprovados seus estatutos. Possui a mais valiosa biblioteca de obras portuguesas fora de Portugal, com cerca de 350.000 volumes, número que aumenta a cada ano, pois de todos os livros publicados em Portugal obrigatoriamente um é incorporado ao acervo do Real Gabinete. O prédio foi construído entre 1880, por ocasião do tricentenário da morte de Camões, quando foi lançada por D. Pedro II a Pedra Fundamental, e 1887, quando foi inaugurado.

Em estilo manuelino e inspirado em parte no Mosteiro dos Jerônimos, o prédio oferece um exterior de beleza indescritível. A parte interna, com seu grande salão de leitura, tem 400 m2 de área e 23,5 metros de altura, suas estantes com 1.520 compartimentos, decoradas com motivos medievais, a clarabóia de vitral colorido, mesas de jacarandá, obras raras e valiosas, manuscritos, cartas e primeiras edições, coleção de numismática, pinturas e muito mais tudo deixa o visitante em estado de êxtase. É uma visita que deveria ser feita não apenas por aqueles que buscam conhecimentos literários ou lingüísticos, mas por todos os que admiram a cultura e a beleza visual das coisas. Ali foram realizadas as primeiras sessões da Academia Brasileira de Letras sob a presidência de Machado de Assis. Tel.: 2221-2960.

O Centro Cultural Carioca foi criado para promover novos artistas da Música Popular Brasileira. Funciona em prédio antigo na rua do Teatro, em frente ao Teatro João Caetano. Até meados do século passado ali funcionava o Dancing Eldorado. Nº 37 - Tel.: 2252-6468.

Os primeiros presbiterianos instalaram-se no Brasil em 1859 e o primeiro prédio da Catedral Presbiteriana foi construído em 1862, sendo o único em estilo gótico do centro do Rio. O projeto atual do templo é de autoria do engenheiro Ascânio Vianna e do Reverendo Mattathias, datando de 1925. Recentemente ganhou uma belíssima iluminação exterior que a todos encanta quando, à noite, se caminha da Praça Tiradentes em direção aos Arcos, passando pela rua Silva Jardim. Nº 23 – Tel.: 2262-2330.

Seguindo um pouco mais adiante, pela Av. República do Chile, chegamos à Catedral Metropolitana do São Sebastião do Rio de Janeiro. É uma construção ultramoderna, erguida entre 1965 e 1976. Tem a forma de um cone truncado de 106 metros de diâmetro e 96 de altura. A porta principal tem 18 metros de comprimento e 5,65 de altura, pesa oito toneladas. É feita de 48 placas de bronze com desenhos em alto relevo representando temas sobre a fé.

No interior, os vitrais coloridos deixam filtrar a luz do sol em quatro faixas distintas, criando um clima místico. No subsolo está o Museu de Arte Sacra, com peças históricas, como o trono de D. Pedro II e a Rosa de Ouro oferecida à Princesa Isabel, celebrando a assinatura da Lei Áurea. (nº 245 – Tel.: 2240-2869).

Caminhando pela Avenida Passos, nos deparamos com a imponente Igreja do Santíssimo Sacramento, construída em 1859 pela Irmandade do Santíssimo Sacramento, a primeira do Rio de Janeiro, instituída a partir do ano 1567. As duas grandes torres revestidas de mármore branco perderam muito de sua imponência, por ocasião do alargamento da avenida promovida pela reforma Pereira Passos que destruiu o átrio de chão de mosaico de mármore circundado por um gradil de ferro. Nº 50 – Tel.: 2224-0205.

Também na Avenida Passos encontra-se a Igreja de Nossa Senhora da Lampadosa, cuja Irmandade foi fundada por volta de 1740 na Igreja do Rosário e São Benedito, formada por escravos. Em 1747 ganhou o terreno e construiu a igreja. Diz-se que Tiradentes, a caminho da forca, ali assistiu de pé a parte da missa antes de sua execução. Foi reconstruída em 1936, descaracterizando-se completamente as formas arquitetônicas do prédio anterior. Nº 15 – Tel.: 2221-0351.

Bibliografia:

Guia Quatro Rodas – 2005 – Abril

Guia Amoroso do Rio – 2001/02 – José Inácio Parente

Guia de Roteiros do Rio Antigo – O Globo – Berenice Seara

Prof. Hélio Alonso

Diretor da Faculdade de Turismo da Facha – Faculdades Integradas Hélio Alonso –, da Agência de Turismo Heliotur e sócio-comunitário da AABB-Rio nº 1.