Artigos - Hélio Alonso
 
Edição de Junho da Revista da AABB - Associação Atlética Banco do Brasil - Conheça primeiro a sua cidade - Rio de Janeiro VIII - RIO DE JANEIRO - A CIDADE DO TURISMO HISTÓRICO
Prof. Hélio Alonso (*)

Lapa (II)

 

A Lapa tem alguns pontos turísticos que merecem ser conhecidos, como a Igreja de Nossa Senhora do Carmo da Lapa do Desterro/Igreja de Nossa Senhora da Lapa do Outeiro, o Lampadário Monumental do Arco da Lapa, a Sala Cecília Meireles, o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, a Escola Nacional de Música, o prédio do Automóvel Clube do Brasil, a Fundição Progresso/Circo Voador, a rua do Lavradio com o Palácio Maçônico e a feira de antiguidades, e a Lapa boêmia; além do Passeio Público e o Aqueduto da Carioca.

Recomendamos, mais uma vez, para complementar nossas informações, a leitura do Guia Amoroso do Rio, de José Inácio Parente, Edição 2001/2002; Guia de Roteiros do Rio Antigo, de Berenice Seara, Edição O Globo; e o Guia quatro Rodas Brasil, edição 2005.

- Igreja Nossa Senhora do Carmo da Lapa do Desterro

È uma construção de 1752 que mantém anexo o convento dos frades carmelitas. Localiza-se no Largo da Lapa, em frente da Associação Cristã de Moços. Tel.:2221-3887.

- Lampadário Monumental do Arco da Lapa

De autoria de Rodolfo Bernardelli, 1905, foi encomendado pelo Prefeito Pereira Passos por ocasião da abertura da avenida Mem de Sá. Está localizado no Largo da Lapa.

- Sala Cecília Meireles

Foi construído em 1926 um prédio para funcionar o Grande Hotel, que hospedou inúmeros políticos durante a República. Mais tarde, ali funcionou o Cine Colonial, na época áurea do incipiente cinema carioca. Em lugar do Cine Colonial, em 1965, é criada a Sala Cecília Meireles, uma das mais importantes salas de concertos da Cidade. Tel.: 2224-3013/3913/4291.

- Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro – IHGB

Foi criado em 21 de outubro de 1838, inspirado no Instituto Histórico de Paris, fundado em 1834. Desde sua criação, o IHGB contou com a ajuda e colaboração de D. Pedro II que, além de participar ativamente de suas sessões, chegou a presidi-lo entre os anos de 1849 e 1889 em cerca de 500 sessões, depois que o Instituto teve suas instalações inauguradas no Paço Imperial, em 15 de dezembro de 1849.

O IHGB conta com um acervo de mais de 600 mil peças entre livros, documentos e obras de arte, possuindo valiosas relíquias da época do Império. Tem sua sede à rua Augusto Severo nº 8/10º andar, esquina da rua Teixeira de Freitas, em frente à Praça Paris. Tel.: 224-7338.

- Escola Nacional de Música

O ensino de Música no Brasil era feito em cursos particulares, em que sobressaía o do Pe. José Maurício Nunes (1767-1830). Em 1841, a Sociedade de Música, que defendia os interesses dos músicos, conseguiu do Governo Imperial autorização para criar o Conservatório de Música, que começou a funcionar no antigo prédio do Arquivo Nacional, na Praça da República. O Conservatório passou a chamar-se Instituto Nacional de Música.

Em 1913, o Instituto passa a ocupar o prédio onde se encontra atualmente, em frente ao Passeio Público (rua do Passeio 98). Este prédio foi construído em local comprado em 1853 para abrigar as novas instalações da Biblioteca Nacional que, em 1910, se mudou para a sua monumental sede na Avenida Rio Branco, Cinelândia.

Em 1922 é inaugurado o prédio com reformas realizadas e a criação do salão Leopoldo Miguez, dando a forma final em que ele hoje se encontra. Com a criação da Universidade do Rio de Janeiro, o Instituto Nacional de Música a ele é incorporado. Em 1937 esta universidade passa a chamar-se Universidade do Brasil e o Instituto Nacional de Música torna-se Escola Nacional de Música.

- Prédio do Automóvel Clube do Brasil

Foi construído em 1860. Serviu de residência ao Barão de Barbacena. Foi ocupado pela sociedade de baile Assembléia Fluminense, Cassino Fluminense, sede do Automóvel Clube do Brasil e, mais recentemente, Bingo Imperial. Fala-se que será a sede da futura Biblioteca Central do Rio. A Prefeitura retomou a posse do imóvel, tombado pelo Patrimônio Cultural, e se tem a intenção de ali funcionar um centro da memória da cidade, com parte do acervo cedida pelo arquivo da cidade com cerca de 500 mil títulos. Tel. 2533-5509.

- Fundição Progresso / Circo Voador

Antiga fábrica de cofres e fogões construída em 1881, representa o mais belo exemplo de arquitetura industrial da época, com suas sacadas grandes, portões e postes para suportes de lampiões que ainda sobrevivem.

O Circo Voador, que nos idos de 1982 iniciava suas atividades nas areias da praia do Arpoador com teatro, dança, circo, capoeira e preparação para várias atividades ligadas à cultura, estava procurando um lugar para exercer seu trabalho. Sabendo que o prédio da Fundição Progresso estava para ser demolido pela Prefeitura, batalhou com a ajuda do deputado Miro Teixeira e conseguiu, em 1986, do prefeito Saturnino Braga, a cessão daquele espaço.

Foi um sucesso sua atuação por alguns anos. Alguns anos, por razões políticas, também deixou de funcionar. Em julho de 2004 voltou com todo o gás, completamente remodelado: nova arquitetura, capacidade para duas mil pessoas, palco maior e muita garra para desenvolver cinema, teatro, show, bailes e ajudar no aparecimento de novas bandas, não deixando de lado a parte social que sempre desenvolveu com as comunidades carentes.

- Rua do Lavradio

Foi aberta em 1771, sendo uma das primeiras ruas residenciais da cidade. O lado esquerdo mantém várias casas com as características do século XVII. Grande parte dos sobrados se transformou em antiquários de dia e bares com música brasileira à noite. Os prédios da Escola Municipal Celestino Silva (nº 56), que já foi o Teatro Apolo, e o da Sociedade de Belas Artes (nº 84), que pertenceu ao Marquês do Lavradio, merecem especial atenção.

Também o de nº 97, que desde 1842 é ocupado pelo Palácio Maçônico Grande Oriente do Brasil, que teve como primeiros grãos-mestres José Bonifácio de Andrada e Silva e Dom Pedro I, merece pelo menos uma foto, da parte exterior, já que as visitas são proibidas. O seu interior é indescritível.

- Lapa Boêmia

A partir de 1950 a Lapa consolidou-se como destino obrigatório da boemia carioca, principalmente à noite. Intelectuais, artistas, malandros, jovens e velhos, ricos ou pobres freqüentavam os botecos para beber cerveja ou cachaça e os cabarés para beber e dançar, pagando as dançarinas a cada dança através de picotagem de cartão.

A partir do ano 2000, a restauração do casario e o aparecimento das casas de show mudaram a fisionomia do bairro. Hoje a Lapa é o maior reduto do samba, chorinho e MPB do Rio, atraindo pessoas de toda a cidade, inclusive de outras cidades e países, para suas casas de espetáculos, bares e restaurantes das ruas do Lavradio, Mem de Sá, Riachuelo, sem falar no Circo Voador.

A feira de antiguidades, que funciona na rua do Lavradio no primeiro sábado de cada mês é um evento durante o qual vários antiquários expõem suas peças em plena rua com músicas e apresentações, e restaurantes espalhando suas mesas pela calçada. Restaurantes para todos os gostos e preços, e lugares para dança e shows estão em todas as partes, principalmente nas noites de sábado. Vale mencionar alguns restaurantes e botequins tradicionais que merecem a nossa preferência: Bar Brasil, Lisboeta, Paulistinha, Adega Flor de Coimbra, Casa da Cachaça e Nova Capela, onde, aliás, se come o melhor cabrito assado da cidade.

(*) Colaborador,Diretor da Faculdade de Turismo da Facha–Faculdades Integradas Hélio Alonso–,da Agência de Turismo Heliotur e sócio-comunitário da AABB-Rio nº 1.