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Todo ano, milhares de jovens partem em busca de um lugar no mercado de trabalho. A crise econômica e as dificuldades por que passam alguns setores da economia tornam o caminho rumo à boa profissão cada vez mais tortuoso. E, em muitos casos, só ter um curso universitário não basta. É cada vez maior a procura não apenas pela formação universitária, mas também por cursos de pós-graduação e de especialização. Mas o profissional do futuro valerá menos pelo conhecimento que tem e mais pelo que está disposto a adquirir, como ressaltaram, nesta entrevista, o reitor Arody Cordeiro Herdy, da Unigranrio, e o professor Hélio Alonso, diretor das Faculdades Integradas Hélio Alonso. Um desafio pedagógico que visa a atender ás necessidades do mercado, e que mobiliza as instituições de ensino superior, como estará demonstrado nas entrevistas publicadas a seguirconhecimento básico também consistente na profissão que escolheu, um espírito empreendedor e ética. No entanto, mais importante do que estes fatores é estar pronto a, efetivamente, aprender sempre. O jovem que sai da universidade e pensa que, com o diploma e mais o conhecimento de uma língua estrangeira, pode entrar e se manter no mercado, não terá sucesso. É primordial que ele, ao terminar o curso, esteja pronto para um processo de educação continuada.
Folha Dirigida — Quais têm sido os principais desafios para as universidades no contexto atual?

Arody Cordeiro Herdy, reitor da Unigranrio
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Arody C. Herdy — A necessidade de atendimento à demanda, cada vez maior, por formação superior tem sido um desafio enfrentado pelas universidades. O aumento no número de brasileiros que passaram a ter acesso ao diploma do ensino médio provoca essa pressão, que é sentida, sobretudo, nas instituições particulares. Em função disso, acredito, o financiamento estudantil vem sendo cobrado pela sociedade, que busca suprir suas carências. O governo, é justo dizer, tem incentivado, mas os mecanismos adotados são insuficientes, dado que a economia brasileira tem sofrido com sucessivas crises. Com essa situação, fica difícil subsidiar, ainda que em parte, o ensino superior.
Folha Dirigida — As instituições de ensino superior têm conseguido se adequar às necessidades do mercado?
Arody C. Herdy — A Escola deve procurar conciliar o “dentro” e o “fora da sala de aula”. É preciso atrelar a teoria à prática, o ensino ao serviço. Tudo se modifica com muita velocidade. Uma sala de aula é o ambiente adequado para se conhecer, divulgar e discutir as mudanças, mas as ações acontecerão fora dela, no mercado de trabalho. Há espaço no ambiente acadêmico para a experiência profissional. O conceito de “aula”, hoje, é muito mais abrangente e se confunde com atividades objetivas e dinâmicas de interação.
Folha Dirigida — Qual é o perfil dos jovens que o mercado exige? Como fazer para se firmar no mercado, cada vez mais competitivo?
Arody C. Herdy — Os jovens devem ter várias habilidades: no mínimo, poder usar uma língua estrangeira facilitadora da comunicação universal, razoável capacidade de resolver problemas, espírito de liderança, conhecimento seguro na área de sua atuação que incluirá, certamente, utilização de recursos da informática, interesse em manter-se atualizado. Assim, ele terá chances de sucesso. Habilidades poderão ser adquiridas no curso superior e outras serão alcançadas ao longo da vida, mediante superação de carências pessoais, dedicação, estudo proveitoso e possível compartilhamento dos bem-sucedidos.
Folha Dirigida — Qual é o peso real no mercado, hoje, de títulos como pós-graduação, mestrado ou doutorado? As universidades particulares têm investido de forma adequada nesse setor?
Arody C. Herdy — A busca permanente de conhecimento é indispensável e entender de forma diferente é situar-se sempre como ultrapassado. Alguns teóricos da área de Administração dizem que as coisas que serão importantes nos próximos anos ainda não foram inventadas. A universidade, como todas as demais instituições, tem que se manter atualizada. A Unigranrio, cito como exemplo, implanta em breve o seu projeto de especialização em acupuntura veterinária. É algo diferente, que levará à medicina veterinária conhecimentos, métodos, e investigações originais. Os programas de pós-graduação atuam no sentido de qualificar. São importantes e indispensáveis. Alguns mantêm uma linha tradicional, puramente acadêmica, que ainda tem espaço. Mas, de modo geral, os novos programas devem partir para um viés profissionalizante.
Folha Dirigida — O que o senhor acha dos cursos seqüenciais?
Arody C. Herdy — Os cursos seqüências são uma boa opção. É uma resposta rápida às demandas sociais, que vão crescer ainda mais. O problema dos cursos seqüenciais é a falta de aceitação pelos organismos de classe. Por melhor que seja o curso, como ele é rápido e o sistema pode ainda ser desconhecido, há resistência ao aproveitamento dos seus egressos. Os cursos seqüenciais podem ser o caminho para responder às pressões da sociedade, cada vez mais acentuadas, por vagas no ensino superior.
Folha Dirigida — O ensino superior brasileiro foi marcado, nos últimos anos, pela significativa expansão das instituições particulares, que respondem por 62% das matrículas. Na sua avaliação, quais têm sido os principais desafios para as universidades no contexto atual?

Hélio Alonso, diretor das Faculdades Integradas Hélio Alonso
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Hélio Alonso — Teríamos, primeiramente, que analisar qual seria o papel do ensino superior nos últimos anos. Durante muito tempo se pensou que o ensino superior teria como finalidade preparar para o mercado. Realmente, quando alguém procura uma faculdade ou universidade é porque quer ingressar, qualificadamente, no mercado de trabalho, que é cada vez mais disputado. Mas esse conceito mudou um pouco. Hoje o curso superior prepara a pessoa, o cidadão. E, ao lado do enfoque no mercado, o curso superior busca enriquecer o estudante. Quanto mais preparada uma pessoa é, melhor profissional será. O problema todo é o ensino superior sem qualidade. Algumas instituições cresceram muito e, às vezes, não apresentam uma qualidade satisfatória em todos os seus cursos. Por isso, considero que o MEC deveria estar monitorando mais o ensino superior, mas não tem pessoal suficiente para cumprir essa obrigação.
Folha Dirigida — As instituições de ensino superior têm conseguido se adequar às necessidades do mercado?
Hélio Alonso — De modo geral, considero que sim. As instituições de nível superior vêm contribuindo e tentando se atualizar. Primeiramente por força do próprio MEC. Quando o ministério começa a exigir docentes mais capacitados, força a universidade a se preocupar com isto. Acho que o trabalho do MEC melhorou muito nos últimos anos e fez que o ensino superior também melhorasse. Mas, se houvesse uma fiscalização maior em todas as faculdades e universidades, o ensino seria bem melhor.
Folha Dirigida — Como fazer para se firmar em um mercado cada vez mais competitivo?
Hélio Alonso — O jovem precisa ter conhecimento. Mas necessita também ter espírito empreendedor e ser criativo. Quando o indivíduo possui estas qualidades, consegue ser um profissional muito melhor. É uma pena que os ensinos médio e fundamental estejam, de modo geral, muito degradados. Desta forma, o estudante chega ao ensino superior imaturo, com um nível de conhecimento muito aquém do necessário. Então, nós do ensino superior, recebemos o aluno e temos de suprir estas deficiências.
Folha Dirigida — Qual é o peso real no mercado, hoje, de títulos como pós-graduação, mestrado ou doutorado?
Hélio Alonso — Várias pesquisas têm indicado que aqueles que têm curso superior ou de pós-graduação são os mais bem colocados no mercado. Acho que estes cursos ajudam bastante. Mas, às vezes, é preciso analisar um pouco estes títulos. Em muitos casos, o estudante pode conseguir um certificado mas não tem o conhecimento, devido à qualidade do curso. Infelizmente, a pós-graduação nas universidades ainda é muito restrita. Não é que os cursos sejam fracos, mas há poucos cursos. Todas as universidades, obrigatoriamente, deveriam ter pós-graduação em algum campo, mas elas têm se preocupado apenas com o ensino de graduação.
Folha Dirigida — Qual é a sua opinião sobre os cursos seqüenciais?
Hélio Alonso — Acho bem interessantes. No seqüencial, o estudante passa a ter um conhecimento dirigido. Eles se aproximam mais de um curso técnico. Claro que há habilitações e profissões que exigem uma formação mais ampla, como Direito. Agora, pode haver um curso seqüencial para complementar a formação de um serventuário da Justiça, por exemplo. Quanto mais cursos seqüenciais, melhor para o mercado de trabalho e para o estudante, que tem mais opções.
Fonte:
http://www.folhadirigida.com.br/professor/Cad05/EntArodyCordeiroHerdyHelioAlonso.htm
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