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Recomendamos, preliminarmente, a leitura das páginas 722 e 723 do Guia Quatro Rodas, edição 2005, cuja ordem de pontuação dada aos museus orientará a elaboração dos próximos artigos a serem publicados nesta revista.
Assim é que, com quatro estrelas (imperdível), estão os museus: Nacional de Belas Artes, da República, e Histórico Nacional. Com três estrelas (vale uma visita), o Paço Imperial, a Fundação Eva Klabin Rapaport, a Casa do Pontal, Museu de Arte Moderna, Espaço Cultural da Marinha, Centro Cultural Banco do Brasil e os museus: Nacional, Chácara do Céu, do Açude, Histórico e Diplomático (Itamarati).
Com duas estrelas (merece ser visitado), a Casa de Rui Barbosa, Instituto Moreira Salles; os museus: Internacional de Arte Naïf, Astronomia e Ciências Afins, Militar Conde de Linhares, do Índio, o Centro Cultural da Justiça (Pág. 712) e o Espaço Museu do Universo - Planetário da Gávea (Pág. 726). Com uma estrela (de interesse específico), Museu do Corpo de Fuzileiros Navais, de Folclore Édison Carneiro e de Ciências da Terra. Nesta edição, destacaremos dois deles: o Paço Imperial e a Fundação Eva Klabin Rapaport.
Paço Imperial
O Paço Imperial foi projetado em 1730 pelo Conde de Bobadela e inaugurado como sede das capitanias do Rio de Janeiro e Minas em 1743. Ali residiram os Vice-Reis, desde Gomes Freire de Andrada até o Conde dos Arcos. Antes, o Paço já tinha abrigado a Casa da Moeda e o Tribunal da Relação.
A partir de 1763, o Rio de Janeiro passa a ser a sede do Governo Geral do Brasil e a Casa dos Governadores passa a ser o Palácio dos Vice-Reis. Quando foi construído, o prédio tinha dois andares e sua porta principal estava voltada para o mar, os fundos, para o Convento das Carmelitas.
Em 1808, o prédio é ocupado por D. João VI e sua comitiva, por ocasião do episódio conhecido historicamente como “Transmigração” da Família Real para o Brasil, ocasião em que o Conde dos Arcos mandou construir um terceiro andar, na fachada principal para os dois lados e fundos. Também se lhe acrescentou um passadiço para criar uma comunicação com o Convento das Carmelitas, onde residia a rainha-mãe Dona Maria I.
Em 1929, foi completado o terceiro andar do Paço, para melhor atender ao Departamento dos Correios e Telégrafos que ali funcionava desde o advento da República. No Paço Imperial, aconteceram vários fatos e eventos importantes de nossa história, como o “Dia do Fico”, a 9 de janeiro de 1822; as comemorações da coroação de D. Pedro I e de D. Pedro II; e a assinatura da Lei Áurea pela Princesa Isabel, em 13 de maio de 1888.
No seu interior, em volta dos dois belíssimos pátios, poucos vestígios da construção primitiva sobreviveram: o pórtico, a singela portada de Lioz, a escada interna de cantaria e a sala dos Arqueiros. Após o advento da República, o prédio foi ocupado pelo Departamento de Correios e Telégrafos. Esteve fechado por um período, para obras, e em 1985 foi reaberto como Centro Cultural, vinculado ao IPHAN, com exposições temporárias, livrarias, restaurantes, ateliês de artes plásticas, cinema, teatro, lojas, biblioteca, concertos, palestras, seminários, lançamentos de livro etc. O prédio foi tombado em 1938 pelo Patrimônio Histórico e fica na Praça XV de Novembro nº48, Centro – Tel.: 2533-4207 – Fax: 2533-4459/2533-6613.
Fundação Eva Klabin Rapaport
Encabeçando a lista de museus pontuados pelo Guia Quadro Rodas-2005 com três estrelas, está a Fundação Eva Klabin Rapaport, sobre a qual traremos algumas informações obtidas no magnífico folheto distribuído pela instituição.
A nobre dama que deu nome à Fundação era filha de família lituana que se estabeleceu em São Paulo no final do século XIX, desenvolvendo a indústria de papel e celulose. Nasceu em São Paulo, em 8 de fevereiro de 1903, onde iniciou seus estudos, completando-os na Suíça e na Alemanha. Mudou-se para o Rio de Janeiro em 1933, após seu casamento. Dedicou sua vida a colecionar obras de arte, viajando por todo o mundo. Faleceu em 8 de novembro de 1991.
Já em janeiro de 1990, a Fundação foi oficialmente registrada e funciona na casa onde viveu a ilustre dona desde 1960, reformada por ela mesma para melhor acomodação de mais de 1.100 peças adquiridas durante 70 anos. Abrangendo um período de 30 séculos, as obras são procedentes da Europa, Ásia, África e América.
No Hall Principal já se tem uma idéia da coleção: pinturas de muitos renascentistas flamengos, esculturas – destacando-se a Cabeça de Apolo, uma máscara greco-romana (sécs. III-I a.C.), e Santa Madalena, escultura romana em madeira (séc. XIV); dominando o ambiente, uma foto de Eva Klabin, tendo ao fundo uma moldura em tela de Andrea Della Robbia (1435-1525).
Na Sala Renascença, entre pinturas de artistas consagrados, o retrato de Nicolaus Padavinus (1589), de Tintoretto (1518-1598). Em seis vitrines, objetos egípcios, gregos, romanos, chineses, pré-colombianos e europeus.
Na Sala Inglesa encontram-se pinturas de mestres famosos do século XVIII, como o retrato da Senhora Williams, atribuída a Sir Thomas Lawrence (1769-1830). Nas vitrines, uma coleção de Tanagras (Grécia, sécs. IV-III a.C.) de vidros arqueológicos, provavelmente romanos, de diferentes regiões do Mediterrâneo, e uma coleção de peças judaicas em prata.
A Sala de Jantar tem um ambiente marcado pelo estilo gótico dos móveis franceses e pela pintura holandesa e flamenga do século XVII: uma escultura medieval francesa, em madeira, da Grande Dama (Séc. XV) e uma cristaleira francesa, em estilo gótico do séc. XV, com prataria inglesa e alemã dos sécs. XVII ao XIX. A porcelana Cia. das Índias completa a decoração.
A Sala Chinesa abriga a coleção de arte oriental. São peças oriundas da China e Sudeste Asiático. Porcelanas, vasos, bronzes antigos e pinturas, representações chinesas da figura de Buda, vindas de vários países, e paredes cobertas por rolos de pintura em seda. O acervo testemunha culturas e épocas diversas das dinastias chinesas Chou, Tong e Ming.
Distribuídos por todo o museu, belos conjuntos de tapetes com vários motivos simbólicos vindos da Pérsia, Turquia e Turquistão, do séc. XIX e início do séc. XX, apresentam cenas bíblicas.
No segundo andar, o Hall Superior, pinturas do séc. XVII decoram as paredes. Funciona como foyer de um auditório, tem oitenta lugares e piano para concertos. Na Sala Verde, pinturas de vários artistas: Hendrick Van Balen, Gabriel Metsu (séc. XVII) e Camille Pissarro (1895). Um relógio Luís XIV, ícones gregos e uma tapeçaria flamenga do séc. XVI dão um toque de charme e graça na decoração do ambiente. O Boudoir tem dois retratos de Eva Klabin – um, ainda criança (de Lasar Segall) –, outro de Pedro Leitão e um grupo de porcelana branca Capo di Monte (séc. XVII). No Quarto de Dormir está uma cama dourada, estilo barroco italiano, e o grande estudo para tapeçaria, de Giovanni Francesco Romanelli (séc. XVII).
A Fundação Eva Klabin fica na Av. Epitácio Pessoa 2.480, na Lagoa, e está aberta para visitas guiadas, de segunda a sexta-feira, das 10h às 19h, devendo-se marcar com antecedência pelo telefone 2523-3471. Os interessados podem ainda participar de atividades culturais, como conferências sobre arte e cultura, publicações e concertos de música erudita.
Fazer parte de uma visita guiada à Fundação Eva Klabin é como realizar uma viagem cultural à Europa e a outros continentes, conhecendo vários museus e tendo contato com várias civilizações do mundo através de suas pinturas, esculturas, tapeçarias, vasos, mobiliário, prataria, cerâmica etc. Recomenda-se a todas as pessoas apreciadoras da arte, particularmente àquelas que não tiveram a ventura de poder viajar para o exterior.
Bibliografia:
O Rio de Janeiro do meu tempo – Luiz Edmundo – Conquista
História das ruas do Rio – Brasil Gerson – Lacerda Editores
Rio Antigo – Roteiro Turístico-Cultural do Centro da Cidade - Embratur
Guia Amoroso do Rio – 2001/02 – José Inácio Parente
Guia de Roteiros do Rio Antigo – Berenice Seara – O Globo
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