Artigos - Jackson Saboya
 

29/02/2004 - Site IETS - Instituto de Estudos de Televisão

Brasil no padrão aberto da TV digital

 

Meta do governo brasileiro é romper com reservas de mercado, ou políticas protecionistas, geradas pelos três grupos transcontinentais criadores dos sistemas de TV digital no Japão, nos EUA e na Europa.

Representantes da Comissão Européia do Digital Vídeo Broadcasting - DVB já admitem formalizar intenção do intercâmbio de pesquisas para o desenvolvimento de um padrão de TV digital Brasileiro aberto, o que seria compatível com qualquer plataforma e abriria a expansão das produções nacionais para um mercado estimado em US$ 100 bilhões nos próximos 12 anos.

A preocupação brasileira é entender que a convergência das mídias em audiovisual está direcionada para aparelhos digital receptores de som, imagens e de dados, portátil ou não. E neste caso, a universalização da transmissão e recepção, em padrão aberto digital, permite o ingresso do País em todos os mercados que adotam qualquer sistema atual ou futuro.

As pesquisas no Brasil em cooperação com a Comissão Européia serão coordenadas pelo CPqD e desenvolvidas, principalmente, nas universidades federais com o apoio financeiro do Fundo das Telecomunicação no valor de R$ 100 milhões e de parte de 4 bilhões de euros da União Européia, valorizando nossa produção científica, com os olhos voltados para o mercado chinês - maior consumidor, junto com o Brasil, de aparelhos de TV.

O Brasil, além de buscar a expansão no mercado internacional, segue os caminhos do padrão europeu que já é adotado em vários países fora da Europa, Austrália e Cingapura. O sistema japonês, uma adaptação do europeu, é melhor do que o obtido pelos norte-americanos que é de inferior qualidade.

Portanto, caberá ao grupo de coordenadores da pesquisa no Brasil estudar os padrões existentes, projetar os resultados e buscar soluções universais, e, principalmente, sem se esquecer das condições recessivas mundiais causadas pelo estouro da bolha da nova economia.

O país já sofre com a queda na recepção das TVs pagas cuja demanda de assinantes decresce consecutivamente nos últimos dois anos. Portanto, toda cautela será exigida na pesquisa e nos processos que sucedem à implementação digital no País.

No mercado mundial consumidor de som digital há também uma acomodação e redução do consumo dos distribuidores de sinais e do mercado de aparelhos receptores. E se não sofrermos pressões dos órgãos monetários internacionais para uma "argentinização", ou uma nova desvalorização cambial que possa tornar inviável o poder de compra dos novos aparelhos receptores digital, o Brasil estará apenas produzindo uma bolha furada dentro da bolha que já estourou. Todo cuidado é pouco. Não basta apenas um excelente apoio de pesquisa. É mais ou menos como disse Albert Einstein: "Em momentos de crise, só a imaginação é mais importante que o conhecimento".



Jackson Saboya é jornalista, radialista e professor titular da FACHA

 

fonte: http://www.ietv.org.br/pensar_tv_artigo.php?id=9