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Quem ainda duvida que a indigência musical das rádios e tevês no Brasil pouco tem a ver com a capacidade sensitiva e criativa das novas gerações, isto é, com aquilo que o povo é capaz de inventar ao largo da influência midiática, deve dar um pulinho, aos sábados, por volta do meio-dia, à Escola de Música da UniRio, na Av. Pasteur, Praia Vermelha. Lá, começa no próximo dia 6 mais um semestre da Escola Portátil de Música (EPM), projeto supimpa de Maurício Carrilho, Hermínio Bello de Carvalho, Pedro Amorim e Luciana Rabello.
O projeto não abriga apenas jovens - e é interessante mencionar que jornalistas do porte de Luís Carlos Bittencourt, Lima de Amorim e João Pimentel participam dos cursos, aprendendo por dentro, e na prática, os segredos do choro e da boa música brasileira.
São centenas de aprendizes. De percussão, cordas e sopros. Alunos que se encantam com professores, como os já citados, e mais Jaime Vignolli e Paulo Aragão (devo estar esquecendo alguém, mas cito de memória, a EPM não tem estrutura para ter Assessoria de Imprensa nem enviar release).
Um detalhe fundamental: o curso se agrega ao curso de Música Popular do Instituto Villa-Lobos, da UniRio, de nível superior, que já está no sexto ano. Tudo resultado de um trabalho na sombra, mas admirável, de professores como Roberto Gnattali, Rick Ventura e Luiz Otávio Braga.
Claro, há multidões de alienados, formados pela deformação da mídia eletrônica, mas iniciativas como a EPM ajudam a acreditar que há uma esperança. Falta apenas vontade de investir nela.
História moderna relê a escravidão
"Tráfico, cativeiro e liberdade", lançamento recente da Civilização Brasileira, esmiúça o que foi o comércio de escravos no Rio de Janeiro, do século XVII ao XIX. Seu organizador é o cientista social Manolo Florentino, do IFCS - e sua leitura deveria ser obrigatória a todos os brasileiros, brancos, negros e mestiços, muito especialmente aqueles que se deixam seduzir pelos argumentos favoráveis à adoção de cotas raciais no sistema universitário brasileiro.
Na apresentação, o próprio Florentino afirma que o trabalho "não se rende a qualquer tipo de perspectiva politicamente correta, nem sequer àquela que considera o cativeiro um tumor na humanidade. A escravidão, tal como se expressou nas Américas ou na Antigüidade, não passa de um tecido morto".
Os autores selecionados por ele representam "uma parcela bastante inovadora da moderna historiografia brasileira" (o leque vai de Nireu Cavalcanti a Antonio Carlos Jucá Sampaio), com propostas distintas e contraditórias, e "reuni-los reflete a afirmação da integridade intelectual que o ofício requer".
De qualquer modo, e lixando-se para o politicamente correto, o livro vai "na senda de Gilberto Freyre", definidor de "um dos traços definidores da civilização brasileira - a miscigenação". Aliás, a mesma senda de Darcy Ribeiro - e estou com eles, Freyre, Darcy e Florentino - e não abro.
Xangô no Mistura Fina
A cantora Tânia Malheiros faz apresentação única, hoje, às 21h, no Mistura Fina. E recebe como convidado especial o nosso Olivério Ferreira, o Xangô da Mangueira, 82 anos, lenda das escolas de samba cariocas - ainda sob os eflúvios, diga-se, da grande festa da semana passada, que marcou o lançamento de seu livro-CD. Ingressos a R$ 15.
De memória e velhice
Está na "edição prata" da revista "Humanus", lançada recentemente. Texto "A velhice, a doença e a morte", escrito no Hospício da Piedade, Salvador, no inverno de 1920. Seu autor: o frade capuchinho italiano João Evangelista Giuliani de Monte Marciano (1843/1921). Começa assim: "A memória é um fardo pesado. Quando se alcança a minha idade - 77 anos - ela opera como se não nos pertencesse. Agora é ela quem dita as regras.
A cada dia, propõe uma agenda de fatos a serem esmiuçados, não raro sob o império da emoção e da dor. Não importa se tenho outros compromissos ou se gostaria de gastar o tempo inutilmente. Às vezes, fico sentado, olhos semicerrados, tentando não pensar em nada. É nessas horas que percebo o passado à espreita, rondando, buscando brechas para me martirizar."
Síndrome José da Silva
Um release me dá conta de mais um "Roberto Moura" e, como já acontece, parece que as pessoas que ganham o nome acabam se envolvendo com música. Desta vez, a coisa vem de Paris: "A maestrina Rosemeri Paese, o pianista Fábio Cardoso e o baterista Joel Júnior, do Coral Champagnat da Pontifícia Universidade Católica do Paraná, participaram, na França, do projeto Música Brasileira na França, realizado dias atrás.
No evento, eles fizeram parte de sete apresentações musicais com os corais dos conservatórios de Música de Pierrefitte e de Vigneux-sur-Seine e com o Grupo Vocal Sabiá. O projeto foi organizado pelo professor Roberto Moura, músico brasileiro que reside em Paris, onde atua como cantor, regente e professor de canto.
"O Grupo Vocal Sabiá é composto por cantores franceses e brasileiros, que se dedicam a interpretar músicas brasileiras e acompanhar Roberto Moura como cantor solista em concertos didáticos para crianças e para alunos de Musicologia da Universidade de Paris."
Fique claro que isso nada tem a ver com este filho da Dona Maria.
Por e-mail:
"Quanto à questão Globo/Amorim, e natureza da informação tratada como entretenimento, acabamos por cair de novo naquela história do jornalismo político ser tratado não só como fait-divers, mas como ficção manipulada ao bel-prazer de quem a edita. E, quanto ao trombone que era trompete, o que você esperava do Faustão? Deu sorte, por ele não chamar o trompete de guitarra de sopro, pandeiro de cauda ou sanfona de vara. E você achava que o Caçulinha iria ter peito para chamá-lo de burro no ar?"
(Fernando Toledo, jornalista e analista de sistema, Rio de Janeiro, RJ)
* Fernando, se você tivesse lido um texto meu recente, saberia que separo com clareza o que é jornalismo do que é entretenimento dentro de uma tevê - e como. Ainda acho, contra algumas tendências esquerdizóides, que o jornalismo é o que a Globo tem de melhor. O que eu espero do Fausto é o renascimento daquele cara que um dia fez, na Band, o "Perdidos na noite". E ninguém precisava chamar ninguém de burro - bastava corrigir um "engano". Podia ser o Caçula ou a produção. Não pode é repetir no ar um equívoco que desinforma milhões de pessoas.
"Diz a Reuters, a Sony, maior empresa de música do mundo, vai pagar US$ 10 milhões para fechar um acordo numa investigação do Estado de Nova York, sobre a maneira como a empresa influiu sobre as canções tocadas no rádio. A informação foi divulgada pelo Secretário de Justiça, Eliot Spitzer."
(Pablo de Freitas Moura, web-designer, Rio de Janeiro, RJ)
* Se a moda pega por aqui, ia ser bem legal.
"Sobre o segundo final de semana do Festival de Búzios, registre-se que Ed Motta deu uma declaração infeliz. Disse que esse papo de que o artista tem de estar onde o povo está é uma balela! Aí, então perguntei: Você toca para a elite? O cara não teve a cara de pau de mandar aquela velha clássica...`toco pra mim mesmo, quem gosta da minha arte, muito bem, quem não gosta...' O cara acabar de fazer um show de graça, em praça pública, e mandar essa... pegou malzão! O cara tá esnobe pra caramba!!!
Em compensação, Carlos Malta não deu um show, fez um espetáculo com sua banda e os mais de sete instrumentos de sopro que tocou. O repertório tinha tudo que a gente ouve no sertão brasileiro e mais um pouco. Também homenageou a saudosa Elis.
Mas, sem dúvida, o melhor show do festival foi o do Léo Gandelman, na Praça Santos Dumont. O cara simplesmente desceu do palco e foi tocar no meio do povão! O povo delirou mesmo quando Pepeu Gomes subiu ao palco para uma canja. Sinistro! O espetáculo acabou com velhinho gritando `urrull' e criancinha dancando que nem barata tonta...sensacional."
(Leonor Bianchi, jornalista, Rio das Ostras, RJ
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