Artigos - Roberto M. Moura
 

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A academia e a mídia

 

Não há nada - e há tudo - em comum entre os livros "Como fazer inimigos e alienar pessoas", de Toby Young (Editora Record), e "A esfinge midiática", de José Marques de Melo (Editora Paulus). Ex-repórter da "Vanity Fair", uma das mais respeitadas publicações de cobertura da atividade cultural nos Estados Unidos, Young deplora esse mundo de pseudo-celebridades tão celebrado aqui e alhures.
Com estilo ferino e cheio de humor, ironiza a si próprio na sua busca de penetrar nos ambientes fechados das áreas VIPs. Não por acaso, a "People" definiu o livro como "o hilariante estilo de vida dos ricos e desavergonhados."

Ao contrário, o livro de José Marques de Melo não tem nenhum humor. Trata com rigor as questões que estão na pauta mundial, mas critica a inércia e as indecisões que marcam a discussão dessas questões no pensamento intelectual brasileiro. Inclusive por que, digo eu, acadêmicos brasileiros parecem reféns de uma mídia que tem no Brasil um poder ainda mais hegemônico do que o exercido em outros lugares do mundo. Daí a dificuldade de surgir um Toby Young por aqui.

Ao falar da cultura brasileira, Marques de Melo afirma, com toda a razão e muito por culpa dessa indiferença oficial e acadêmica, que vivemos o "pleno processo de transmutação da nossa identidade cultural, compelidos a continuar importando padrões oriundos das matrizes da indústria mundial de bens simbólicos, mas também participando desse mercado internacional potencializado pela cultura massiva." É triste, mas é verdade.
Carnaval em Santa Teresa
O Bar do Marcô, no Largo dos Guimarães, Santa Teresa, está abrigando desde sábado a mostra "A Cara do Povo", assinada pelos fotógrafos da Agência Pedra Viva (Alex Ferro, Alexandre Loureiro, Marcelo Martins, Orestes Locatel e Paulo Múmia). Nas 30 fotos 20x30cm, o olhar diferente de cinco profissionais sobre o mesmo tema: o Carnaval, em suas múltiplas manifestações, desde a alegria do ritmista desfilante até a fantasia inusitada de um folião de rua.

Turíbio na Lagoa
O violonista Turíbio Santos se apresenta nesta quinta-feira na Fundação Eva Klabin, na Lagoa (Av. Epitácio Pessoa, 2480), com um repertório que inclui Edino Krieger, Bach, Sor, Tarrega e Albéniz. O ingresso custa R$ 30 e o recital começa às 20h30. Turíbio está lançando também um CD de altíssimo nível, por uma gravadora nova, a Delira Música, dirigida por Luciana Pegorer.

O CD chama-se "O Guarani" e, além da peça de Carlos Gomes, traz a "Suíte Quilombo", também do maestro, ambas em adaptações de muita vitalidade para violões (o disco conta com a participação do ótimo Leandro Carvalho). Completam o repertório, Henrique Alves de Mesquita ("Batuque"), Ernesto Nazareth ("O batuque", "Floraux", "Tenebroso", Odeon", "Escovado", "Brejeiro" e "Apanhei-te cavaquinho") e Chiquinha Gonzaga ("Desfile, "Gaúcho", Corta-Jaca e "Abre-alas").

No primeiro lote de lançamentos da Delira Música estão também trabalhos do pianista Luiz Avellar e do Trio Taluá, além do relançamento de títulos da série Masters of Jazz, já distribuída nas bancas de jornais, só que num projeto gráfico bem mais pobre. De qualquer forma, é sempre uma oportunidade a mais de reouvir McCoy Tyner, Stan Getz, Dizzie Gillespie, essa rapaziada que toca/tocava muito pouco...

Nabor em Indaiatuba
Terminam hoje, na Fundação Pró-Memória, de Indaiatuba, SP, as inscrições para o III Prêmio Nabor Pires Camargo, que premia os melhores intérpretes da obra daquele grande compositor e clarinetista do interior paulista. Pouco conhecido aqui no Rio, Nabor mereceu um CD belíssimo do Madeira de Vento, quinteto de clarinetas, que só conheci graças à diligência do amigo Gerdal de Paula.

Nabor Pires Camargo é autor de polcas e choros de muito sabor e modernidade e é um desafio interessante enfrentar suas partituras. O festival distribui prêmios que vão de R$ 6 mil a R$ 3 mil e será realizado no próximo dia 28 - e maiores informações podem ser obtidas no site da própria fundação.

Eleições no samba
Três grandes escolas de samba do Rio se preparam para realizar eleições e, em alguns casos, isso pode significar mudança no panorama do Carnaval. Na Portela, por exemplo, se for confirmada a saída do poder do grupo liderado por Carlinhos Maracanã, há mais de 20 anos pendurado na águia, claro que isso só oxigenará a azul e branco de Oswaldo Cruz.

Na Mangueira, depois de Hélcio e Alvinho, que é candidato à reeleição, o compositor Ivo Meirelles, tenta assumir o controle da escola. Vai ser difícil. A Mangueira jamais teve tanto prestígio e visibilidade como nessas duas gestões.

Paulo Vianna, o candidato da oposição na Mocidade, se diz ameaçado e já pediu proteção ao Ministério Público e à Secretaria de Segurança. Por essas e outras, essa coluna faz questão de repetir: uma coisa é o samba; outra, a escola de samba. No samba, jamais há espaço para a violência.

Fonte: http://www.portalrv.com.br/roberto.html