Lembro-me de quando cheguei aqui na faculdade, cheia de preconceitos e medos. Também tinha a tal aula sábado, cedo, às dez da manhã. Teoria da comunicação I, o nome parecia ser legal. Eis que eu entro na sala e dou de cara com aquela figura apresentando seu radinho que tinha o propósito de “depositar música de qualidade em nosso inconsciente”.
Dali em diante, não perdia a oportunidade de cursar alguma disciplina que fosse ministrada pelo Roberto (não gostava que o chamasse de ‘professor’ ou ‘Moura’: “Meu nome é Roberto, Carol!”, respondia sempre com irreverência.).
Fazer uma matéria com esse professor era garantia de momentos preciosos: ele sabia compartilhar suas experiências e sabedorias de forma leve e atraente, fazendo com que aulas aos sábados de manhã cedo não fossem pretexto para faltas. Ele, sem dúvidas, foi uma das minhas grandes identificações nessa faculdade e alguém em quem eu via o gosto por suas profissões de jornalista e de professor. Professor no sentido mais bonito da palavra, no nível daquele que eu gostaria de ser, quando sonhava com a sala de aula: alguém que faz da aula um momento de troca, de prazer, (e por que não?) de descontração. Suas conversas eram sempre carregadas de conteúdo e experiências que faziam explícita no olhar dos alunos, a vontade de beber aquela vida.
Obrigada, professor, por proporcionar essas experiências. Sentiremos sua falta.
Carolina Andrade
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