Homenagem
 

Aos grandes a Eternidade - Roberto M. Moura

Certa vez, um certo grande mestre ensinou-me que a medida do sucesso de uma música deve-se, entre muitos outros fatores, ao número de vezes que ela foi regravada. O mesmo sábio ensinou também que a competência de um cantor é medida pelo número de vezes que outros cantores evitaram gravar uma canção originalmente interpretada por sua voz por terem medo de depreciá-la e, conseqüentemente, se auto depreciar. Assim sendo, fica claro que a repercussão de um feito é a projeção de sua importância e da relevância de seu autor, não?

É possível aplicar esse saber a outras estâncias da nossa vida? Certamente. Basta olhar ao redor. Quantas e quais pessoas querem estar contigo? Essas pessoas lhe querem por perto pelo oquê você é ou por quem você é? Questões como essas nos trazem à luz uma pergunta: é possível existir pessoas que tenham tamanha importância sendo apenas humano? Sim! Pessoas dessa natureza não morrem jamais, elas atingem uma dimensão que é o seu verdadeiro habitat, o eterno.

Apesar da forçosa convivência com a idéia da morte durante a vida, que é o único ponto comum para o qual todos convergem, não sabemos lidar com ela. Queremos sempre mais alguma coisa dessa pessoa. Mais um minuto, mais um bate-papo, mais um aperto de mão, mais um gole, mais uma risada, mais um olhar, mais um abraço.

A eternidade é o canal entre nós que ficamos e aqueles que nela residem. É nela que nos encontramos com quem nos completa para podermos preencher o vácuo que foi deixado por alguém que partiu prematuramente e nos deixou mal acostumado com sua “simples” existência. Para visitar a eternidade não precisar ir de ônibus, avião, carro, nem mesmo morrer. Basta olhar uma foto, rever uma filmagem, sentir um cheiro, provar um tempero, ir à um lugar, ler um livro, ouvir um samba, etc. É justamente nessas coisas que o cotidiano não nos deixa perceber, que a eternidade acontece.

Nos é vetado esquecer daqueles que partiram. Ao invés disso nos reeducamos para conviver sem a existência física daquele ser tão fundamental quanto especial, e extraímos do seu legado as diretrizes que vamos absorver para aplicarmos em nossas vidas e levá-la a diante de maneira que nas nossas atitudes a existência dos nossos heróis encontrem morada.

Roberto M. Moura morreu perante nosso olhar humano, que é extremamente limitado. Todavia, é reconfortante para nossa alma saber que esse Grande Mestre não nos tenha deixado. Na verdade, ele está mais próximo do que nunca. E cada vez que qualquer um de nós que pôde se dar ao luxo da sua companhia se puser a cantar ou dançar um partido alto, tomar um bom vinho, ler um livro, enfim, cada vez que um de nós for Brasileiro (e principalmente Carioca!), estará aberta a janela da eternidade na qual poderemos contemplar o vigor daquele que oscilava com maestria entre o erudito e o popular, o intelectual e o comum com a precisão pertinente somente àqueles que nasceram com a missão de iluminar os cantos mais ermos da alma humana: Roberto M. Moura.

Rodrigo Milhazes




Voltar
O ÚLTIMO ARTIGO DE ROBERTO MOURA
28/10 - Tribuna da Imprensa


HOMENAGEM DOS ALUNOS DA FACHA
Mauro Ferreira
Carolina Andrade
Gardênia Vargas
Ilan Chachamovitz
Livia Valpassos
Rodrigo Milhazes
Sabrina Vasconcellos
Verônica Evangelho


HOMENAGEM DOS PROFESSORES
Ivo Lucchesi
Nelson Hoineff